Gomes de Matos Consultoria

3 dicas para alcançar um fluxo de caixa sustentável

Quando falamos de gestão financeira, as palavras que surgem mais rapidamente nas nossas cabeças são: economia e margem de lucro. Em situações de crise financeira, emergencial, termos como “corte de gastos” e “geração de caixa” também são lembrados. Estes termos estão corretos e entendê-los faz parte de uma boa gestão financeira, mas você sabe quais indicadores financeiros utilizar para chegar em cada um deles?

Os principais relatórios financeiros que analisam os números de uma empresa são o Demonstrativo do Resultado do Exercício (DRE) e o Demonstrativo do Fluxo de Caixa (DFC). Ambos são fundamentais e apresentam perspectivas diferentes para a empresa. Aqui vamos explorar um pouco mais sobre o DFC, que possui grande importância no dia a dia para analisar a movimentação do dinheiro da empresa em tempo real.

Em períodos de crise, reestruturação financeira, é muito importante saber gerir o dinheiro nas contas bancárias e em caixa, e é pensando nisso que trazemos 3 dicas valiosas para se alcançar um fluxo de caixa sustentável.

1. Separe os tipos de movimentações financeiras da sua empresa:

Trabalhar com fluxo de caixa é trabalhar com regime de caixa. Isso significa que vamos olhar para as receitas e despesas no momento em que o dinheiro de fato entra e sai das contas bancárias e caixas financeiras. Mas não é apenas calculando a diferença entre entradas e saídas que chegamos no valor de geração de caixa, pois existem tipos diferentes de movimentações financeiras. São elas:

  • Fluxo de caixa operacional: São colocadas todas as entradas e saídas que estão envolvidas com a operação da empresa. Ou seja, as receitas geradas pelas vendas dos seus produtos e/ou serviços, os custos envolvidos nessas vendas e as despesas necessárias para manter a empresa funcionando no dia a dia. Por exemplo: Se sua empresa trabalha com a fabricação de veículos, são levadas em consideração as receitas das vendas, os custos de fabricação (material para construir o veículo, equipamentos de indústria, salário dos mecânicos) e as despesas do dia a dia (aluguel do espaço físico da concessionária, contas de energia, internet, salários do setor administrativo). O resultado disso será seu caixa operacional. Caso seja positivo, terá sido uma geração de caixa operacional, caso seja negativo, terá sido uma destruição de caixa operacional.
  • Fluxo de caixa de investimentos: São colocadas todas as saídas referentes à investimentos, ou seja, gastos que não estão no dia a dia da sua empresa e possuem alto valor monetário. Uma grande reforma em um galpão, a compra de móveis para um setor e a reposição de computadores e derivados são exemplos de investimentos. A contabilidade estabelece uma regra básica para a definição de investimento, onde o gasto deve, simultaneamente, possuir um valor acima de R$1.200,00 e ter uma expectativa de durabilidade acima de 12 meses. O resultado final desse tipo de movimentação será o volume de investimentos total da empresa.
  • Fluxo de caixa de financiamentos: São colocadas todas as entradas e saídas referentes aos empréstimos e financiamentos feitos em nome da empresa. Ou seja, a aquisição de um novo empréstimo e o pagamento das parcelas do mesmo se encaixam aqui.

Ao juntar os três tipos de movimentações financeiras de um DFC, teremos o resultado final de geração de caixa. Então por que é tão importante separá-los?

Isso se deve às características tão distintas entre cada grupo. Olhar o fluxo de caixa operacional separadamente é saber se sua operação está gerando caixa para a empresa, independente de investimentos pontuais ou empréstimos. Caso não houvesse essa separação, a impressão seria de que o resultado é muito melhor (em caso de um alto valor de empréstimo entrando na empresa, por exemplo) ou muito pior (em caso de altos investimentos em um mês específico, por exemplo) do que realmente é. Dessa forma é possível verificar se o problema de geração de caixa está na operação, nos investimentos ou nos financiamentos.

2. Categorize corretamente suas contas:

Na dica anterior, foram citados alguns tipos de contas, como custos de fabricação de produtos e despesas com salários do setor administrativo. Esses nomes, classificações, categorias, compõem o que chamamos de plano de contas, fundamental para qualquer empresa e base para apuração de resultados financeiros. É necessário saber a diferença entre os custos de fabricação e aquisição de produtos para venda e as despesas administrativas, como água, energia, materiais de escritório. O primeiro irá compor o Custo de Mercadoria Vendida (CMV), enquanto que o segundo, não. Da mesma forma, saber o que é classificado como investimento e o que entra em despesas com manutenções rotineiras de baixo valor.

A dica aqui para um plano de contas é: não seja tão específico ao ponto de todo gasto ter uma classificação única, nem seja tão genérico, utilizando classificações como “outros gastos” ou “gastos gerais”. Divida também em grupos diferentes, como despesas administrativas, despesas com pessoal, despesas comerciais. Dessa forma, você está no caminho certo para entender como você gasta o dinheiro da sua empresa.

3. Entenda o comportamento dos seus gastos:

Sabendo dar nomes corretos para as movimentações financeiras da empresa e separando essas movimentações nos diferentes tipos existentes, é hora de entender como se comportam os números. Você sabe quais são os gastos fixos da sua empresa? E os gastos variáveis?

Ter esse conhecimento vai te ajudar a tomar uma decisão de diminuição de despesas ou troca de fornecedor, por exemplo. Saber quais gastos se repetem, independente do quanto a empresa vende, como os salários dos funcionários. Saber quais gastos variam com o volume de venda, como a matéria-prima para fabricar novos produtos, ou os impostos pagos na compra de produtos para revenda. Prever o volume de venda e assim, prever o volume de gastos variáveis. Todos esses fatores influenciam na tomada de decisão e contribuem para se ter um fluxo de caixa mais sustentável ao longo do tempo.

Com essas três dicas valiosas, você estará muito mais preparado para enfrentar momentos de crise financeira, ou até mesmo saber o melhor momento de investir e o valor ideal para criar uma reserva de emergência, ter um capital de giro. Por fim, invista em um sistema financeiro que lhe traga segurança e que seja possível classificar todas as suas contas e gerar relatórios financeiros confiáveis. Está na hora de desapegar de todas as planilhas e caderninhos que você utilizava.

Quer elevar as finanças da sua empresa para outro patamar de resultados? Nós te levamos!

Marcelo Henrique

Marcelo Henrique

Consultor Sócio da Gomes de Matos

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